Advogado conta como descobriu que tinha câncer de próstata
Após o falecimento do pai, advogado se consultou com
urologista.
Doença ainda é motivo de debate entre médicos.
Isis Nóbile Diniz Do G1, em São Paulo
O advogado Mylton Almeida Lima, 72 anos, descobriu que poderia ter câncer de próstata de uma maneira triste: logo após o falecimento do pai, há dez anos, devido a mesma doença. Lima procurou um urologista. O exame identificou que ele tinha tendência a desenvolver esse tipo de câncer. Fez acompanhamento médico por meses. Como não sentia dores ou mal estar, deixou de ir ao urologista por cinco anos. "Um dia resolvi fazer um check-up", conta.
Em setembro de 2005, um mês após o check-up, Lima precisou ser
operado. A doença avançava rapidamente. Devido ao estágio dela,
também se submeteu a tratamento radioterápico por seis meses. "Hoje
estou feliz e curado". Mesmo assim, freqüentemente visita o
urologista. O irmão mais novo de Lima, 63 anos, nunca fez um exame.
Foge do médico. "Homem, em geral, tem preconceito. Mas deveria
fazer o exame para resolver a dificuldade antes que vire um
problema", acredita.
O câncer de próstata é a segunda causa mais comum de morte por
câncer entre os homens no Brasil. De acordo com as estimativas do
Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados para este ano
49.530 novos casos. "A história natural do câncer da próstata não é
compreendida na sua totalidade", diz Marcus Valério de Oliveira, da
Coordenação de Prevenção e Vigilância do Câncer do (INCA). "Essa
não é uma doença única, mas um espectro delas, variando desde
tumores muito agressivos àqueles de crescimento lento que podem não
causar sintomas ou a morte".
Muitos homens com a doença na forma menos agressiva tendem a
falecer com o câncer, em vez de morrer do câncer. A doença pode ser
identificada em 30% dos exames pós-mortem em homens com mais de 50
anos, segundo dados do INCA. "Mas nem sempre é possível dizer, no
momento do diagnóstico, quais tumores são agressivos e quais de
crescimento lento", diz. Após descoberto, o médico indicará
acompanhamento ou tratamento.
Quando realizar os exames
O INCA recomenda que homens que solicitem espontaneamente a
realização do exame de rastreamento da possível doença sejam
informados por seus médicos sobre os riscos e benefícios associados
a essa prática. José Carlos de Almeida, presidente da Sociedade
Brasileira de Urologia, indica que os homens vão ao médico para
fazer o check-up. "O médico avaliará a situação do paciente com o
toque retal, o exame de dosagem do antígeno prostático específico
(PSA, sigla em inglês) e o histórico familiar", explica. "Existem
tumores que não se desenvolvem e aumento benigno da próstata, mas
apenas o médico poderá indicar o que fazer", diz Almeida.
Homens com mais de 40 anos e com familiares próximos que tiveram a
doença, devem procurar um urologista para verificar sua situação.
"Os afrodescendentes precisam ter atenção. Não se sabe o porquê,
mas esse tipo de câncer é mais devastador nessas pessoas", conta
Almeida. De acordo com o médico Oliveira, trata-se de um câncer
raro antes do 50 anos de idade e maioria dos óbitos ocorrem em
homens com 70 anos ou mais. Os estados com as maiores taxas brutas
de incidência -- número de casos a cada 100 mil habitantes -- são
Rio Grande do Sul (80,63), Rio de Janeiro (77,93), Paraná (65,16) e
São Paulo (64,3).
Almeida explica que existem pessoas que nunca apresentam sintomas.
Certo dia, procuram um médico devido a dores nos ossos e, nesse
momento, é diagnosticada a metástase óssea. "Quando isso acontece é
mais complicado tratar. Geralmente, apenas é possível diminuir a
dor", conta. "Mas se for diagnosticado o câncer no estágio inicial,
na glândula, a 'cura' chega a ser até de 95%", diz. "Um homem que
possui por volta de 60 anos pode falecer devido a doença, por isso
quanto antes diagnosticada mais fácil será para preservar a vida
dessa pessoa", finaliza.
Tire suas dúvidas
Sintomas: sangue na urina, necessidade freqüente de urinar, jato
urinário fraco, dor ou queimação ao urinar.
Prevenção: desconhece-se a melhor maneira para evitar. Mas hábitos
saudáveis como fazer exercícios físicos, não fumar e ter uma
alimentação rica em vegetais reduzirem o risco de desenvolvimento
de câncer em geral.
Causas: são desconhecidas. Mas influências hormonais têm um papel a
ser considerado em seu desenvolvimento, já que os tumores regridem
quando se perde o hormônio andrógeno.
Fatores de risco: idade avançada e parentes de primeiro grau com
câncer de próstata antes dos 60 anos.
Diagnóstico: é feito pelo exame clínico (toque retal) e pela
dosagem do PSA. Se positivo, o médico pode solicitar
ultra-sonografia pélvica ou prostática transretal e biópsia.
prostática transretal.
Tratamentos: dependendo do tipo do tumor e da fase de seu
desenvolvimento os tratamentos podem ser radioterapia,
braquiterapia, quimioterapia, hormonioterapia ou cirurgia para
retirada da próstata.



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