Sua cabeça está latejando. Sobram preocupações em casa, seu chefe e resolveu ter crises diárias no trabalho e aquele amor de conto-de-fadas acabou em drama mexicano. "Fiz uma massagem ótima", palpita um, tentando ajudar. "Só com terapia consigo ficar de pé", pitaca o outro. "Ginástica é a solução, deixo todos os meus problemas na esteira", intomete-se mais alguém. E, no meio de tanto zunzunzum, fica você ainda mais atordoada e sem saber como reagir.
Pois não faça nada. Sim, você entendeu certo. Pare quieta e apenas respire: aí está o remédio contra a maioria dos desconfortos emocionais. "Aprendendo a controlar a respiração, damos fim em todas perturbações da mente e dos sentidos", afirma o médico David Frowley, autor de Uma visão Ayurvédica da Mente, a cura da consciência (Editora Pensamento, R$ 29).
Considerado o maior especialista ocidental em terapia ayurvédica, ele acaba de vir à América do Sul pela primeira vez e escolheu o Brasil, onde deu uma palestra, para dividir os ensinamentos sobre o sistema de cura tradicional da Índia. "Nossa energia vem, basicamente, da respiração (...) Se o cérebro não recebe a quantidade certa de oxigênio, não temos a energia vital suficiente para nos desenvolver e mudar".
A seguir, Dr. David Frawley ensina como mudanças sutis na inalação e na respiração podem contribuir no alcance e na manutenção de um estado psicológico marcado pelo bem-estar.
Sopre a ansiedade para longe
A receita é imbatível contra tremores pelo que ainda
nem aconteceu, além de bastante eficaz no combate à
insônia. Separe uns dez minutos do seu dia, não
importa o horário - pode ser, inclusive, no pico de uma
situação superestressante.
Comece só prestando atenção no ritmo em que o ar entra e sai dos pulmões. Aos poucos, vá controlando este intervalo, até que ele se torne bem espaçado: tente contar até dez enquanto puxa e, depois, quando solta a respiração.
Fazendo inalações mais prolongadas, você fortalece todo o seu corpo e acalma a mente. Com isso, as preocupações, por mais terríveis que sejam, acabam amenizadas, já que a energia passa a circular melhor por todo o organismo.
Respirações fortes e
intensas
Contornar os sintomas depressivos com a
respiração é muito simples. A falta de
disposição desaparece, caso você consiga manter
um ritmo mais intenso enquanto realiza as inalações e
as exalações. A idéia é não
apenas respirar com grande velocidade, mas com bastante vigor,
puxando e soltando a máxima quantidade de ar possível
a cada tentativa. Mantenha o pique por dois minutos e descanse.
Repita mais duas vezes. Não se assute caso venha a sentir
tonturas, a sensação é normal - e devida ao
excesso de oxigênio que, de repente, passa a percorrer o
organismo.
Não é lógico viver
assim
Até para quem não consegue dar
um passo à frente sem medir todos os prós e contras
dessa atitude existe uma respiração ideal. As pessoas
que têm o lado racional extremamente desenvolvido (e sofrem
maquinando sobre tudo o que acontece ao redor) devem estimular a
respiração com a narina esquerda, conectada com o a
região do cérebro ligada às
emoções. Funciona assim: com um dos dedos, tape a
narina direita e faça 30 respirações
(inalação, seguida de exalação) somente
com a narina esquerda. O exercício será seguido de
uma sensação de refrescância e calma.
Emoção demais, não há quem
agüente
Aqui, vale o contrário do treino acima. Se você
derrama lágrimas até pela grama cortada e se
descabela por qualquer bobagem, a dica é estimular um pouco
mais o seu lado racional, favorecendo um estado de
equilíbrio entre ele e suas desenvolvidíssimas
emoções. Com um dos dedos, tape a narina esquerda e
faça 30 respirações (inalação
seguida de exalação) apenas com a narina direita.
O efeito aquecedor desta prática irá ajudar na
busca por análises mais racionais das
situações impostas pelo dia-a-dia.



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